Exhibition at Imperator

Entre os anos de 1946 e 1947, a importante artista francesa americana Louise Bourgeois criou a série de pinturas Femme Maison que abordava a questão da identidade feminina. A artista carioca Panmela Castro percebe a violência contra as mulheres como um problema de identidade feminina e assim – diante dos alarmantes números brasileiros – mesmo em 2017, ainda uma questão a ser debatida. Apropriando-se deste título, cria seu primeiro trabalho da série sendo este construído durante os meses de maio, junho e julho em seu atelier no bairro do Catete e montado em agosto no Sesc de Sorocaba para o Frestas Trienal de Artes.

Nesta primeira obra, Panmela encomenda para sua mãe a decoração de uma casa de boneca nos moldes do seu antigo quarto no bairro da Penha. Cumprida a missão e instalada a obra, o público pode adentrar no espaço, experimentando apetrechos e se fotografando. Para este espaço da Galeria do Imperator, Panmela Castro monta a sua segunda instalação #FemmeMaison, onde os visitantes poderão entrar em um pomposo e exagerado vestido cor de rosa.

Nesta nova série, a artista aborda o ridículo feminino, questionando a obrigatoriedade de certas características femininas para a legitimação do ser enquanto mulher, visto que, acredita que a não aceitação de outras/novas possibilidades resulta na violência.

Além da instalação participativa, nesta exposição o público pode conferir um conjunto de pinturas criadas entre 2008 e 2017 que trazem um pouco dos primeiros traços e da trajetória desta obsessão por este feminino kitsch.

For
Centro Cultural João Nogueira – Imperator
Date
De 03/10/2017 à 25/02/2018
Type
Exposição
URL
Imperator
"Femme Maison"
Instalação participativa
2017

Instruções

1. Vá à penteadeira e "se monte" com uma peruca;

2. Se posicione no corpete do vestido e amarre-o em suas costas;

3. Use as penas pink ao redor do pescoço para disfarçar suas roupas e parecer bastante mimos@;

4. Faça uma cara de meig@;

5. Peça para alguém fotografá-l@;

6. Poste com a hastag #FemmeMaison e marque a artista no instagram @panmelacastro
"Fio a fio"
Fotografia
2017


Releitura da obra de Anna Maria Maiolino, a fotografia mostra a artista, sua mãe e irmã. Juntas, as três trabalham cada uma com sua função para trazer à possibilidade de existência real as criações de Panmela. Aí é tratado também os conflitos identitários de cada uma.

Jardim da Sororidade, mural construído para o terraço do imperator.

"Mulher Com Flôr "
Óleo sobre espelho
0,30 X 0,40 cm
2015


Instruções

1. Centralize seu olho encaixando-o na flor;
2. Faça uma selfie;
3. Poste com a hashtag #FemmeMaison e marque a artista no Instagram @panmelacastro
"Eva III"
Spray e óleo sobre tela
0,90 X 0,60 cm
2012

Dentre algumas Evas pintadas por Panmela, podemos considerar esta como uma obra experimental. O tom de rosa diferenciado, os cabelos negros, o corte no peito com a maçã: itens que a artista não viria nunca mais repetir em sua produção. Talvez porque este conjunto de elementos juntos trouxessem um exagerado feminino que à época não era parte proposital da pesquisa de Panmela, mas que viria cada vez mais se repetir (de outras formas) como uma em uma anunciação da série "Femme Maison".
"A Exibida"
Spray e óleo sobre tela
0,120 X 0,100 cm
2014

Uma das figuras mais conhecidas de Panmela Castro é a mulher com flor no olho. Não é muito difícil encontrar pinturas e desenhos de outros artistas com este mesmo elemento, mas é justo esta característica pop, e um tanto quanto kitsch que interessa à artista nesta representação. É um tipo de kitsch que ora aparece na flor, ora aparece com os penduricalhos femininos que usamos para nos sentir mais femininas. Mais bonitas. Mais sexy. É desta ironia que surge a ideia de exagero que cada vez destaca mais a obra de Panmela enquanto produção não feminina, mas feminista.
"Sem Título"
Spray e óleo sobre tela
0,90 X 0,60 cm
2011

Ainda resquício da série "Opressão", Panmela Castro considera esta obra violenta. Não por retratar uma mulher presa à espinhos, mas pelo seu olhar tranquilo de quem sabe que a luta é árdua, mas concisa. Ser feminista na contemporaneidade é isso, lidar em nosso dia a dia com a misoginia e com o machismo, sabendo que este tenta nos engolir, nos oprimir, mas enfrentá-lo com um tipo de força das entranhas.
"Auto Retrato"
Spray e óleo sobre tela
0,50 X 0,60 cm
2008

A obra mais antiga desta exposição é um auto retrato criado a partir de uma outra série de Panmela: "Opressão". Após fotografar-se nesta coleção que fala de dor e sofrimento gerado a partir das relações de alteridade e que desaguaria em sua famosa performance "Porquê?", Panmela Castro se auto retrata em um lugar de fala enquanto mulher, tentando encaixar-se em um padrão binário, hiper feminino, estereotipado como forma de alcançar a aceitação do outro. São elementos kitsch em uma caricatura do feminino que beira ao ridículo, prenunciando assim a série "Femme Maison".
"Liberté II "
Óleo sobre tela
0,30 X 0,40 cm
2014

Liberté é uma das ideias obsessivas da artista em relação às mulheres. Em Paris 2011 ela riscou em um tipo de mulher tão livre que seríamos incapaz de imaginar. Representou está mulher ao lado de uma águia e a chamou de Libeté, que em francês quer dizer liberdade. Com o passar do tempo este seu interesse deslocou-se para os estudos acerca da construção não binária, e então percebeu que construía essa mulher livre com características femininas, mas que ser livre seria justamente abandoná-las.